sábado, 7 de Novembro de 2009

Fernando Pessoa "Não sei ama onde era"

Whitman "Leaves of Grass"


Pensar é estar aqui
Deambular pelo tempo
Percorrer caminhos novos
Em terras distantes
Sempre.. aqui

Pensar...
É ir além de nós...
No alcance inadiável de um profundo infinito...

Pensar... é ser...
É ser tudo e nada...
E nada poder ser
Na antítese plena
De pensar o impensável
De falar o indizível
Ouvir o inaudível...

Pensar...
É atingir o passo mágico da imaginação
É ser o aqui e o agora...
De um tempo que transcende as fronteiras do real...

Pensar...
É estar vivo...
E apaixonado pela singularidade do instante.


Pedro Campos.

quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Apenas existir

Liberta-te dor!
Solta de mim esse peso
Afaga-me com sentimento a pele suada
E sob as cores de um horizonte esquecido
Lembra-te que foste até à beira do abismo
Lembra-te que todos os teus passos
Foram os meus pés que os caminharam
Todos os meus dedos que sentiram a textura do caminho
E a dureza da solidão

Por isso...
Por muito mais...
Livra-te de mim... dor!
Que o tempo que há...
Quero-o apenas para ser menino em ilusões
De felicidades e alegrias supremas
Sem espaço para dilemas nem questões....

Por favor!
Quero cair... aqui... inundado de ignorância
Com os olhos sem ver...
E a alma anestesiada... com as cores dos lírios do jardim

Por favor!
Quero um querer que não doa
Um estar que seja apenas estar...
Um ser que seja apenas existir...
Acordar, adormecer, comer, beber
E quando alguma dor surgir... morrer...!
Morrer entre os véus...
De uma musa que irei inventar
Quando a dor chegar
Aqui.

Até lá, tremoços, um copo cheio sobre a mesa e a singela alegria
De apenas existir.


Pedro Campos.

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Porta n.º 53



Quando anoitece
Aqui estou eu
Uma vez mais sentado à porta
Número 53.

Sou eu ou tu,
Ou ninguém, talvez.
Sou o verso alado da esperança
Em que crê quem já não espera nada...

Assim, aqui...
Deleito-me a saborear
Aromas e paladares
De experiências feitas sem guia
E tu...
Trazes a comida...

Deslumbrante a pele
Divagante no sentir que mostras
Qual caravela flutuante
Em dossel de armadura bela

Acordo a pensar nesta certeza
Que o desenleio das minhas incertezas
Me leva até ti, doce desconhecida...

Tens voz doce e branca e sublime...
Como as lagoas de natureza viva à tua volta
Acariciadas por árvores que lhes definem fronteiras
E as protegem da sorte
Ou do azar...

Se eu pudesse...
Oh... se eu pudesse...!
Se fosse capaz de dizer-te quem sou
De falar-te do que vejo
Do que sinto
Do que quero....
Do que penso aqui...
Sob o firmamento...!

Se eu pudesse...
Mostrar-te a minha cor
E beijar-te com fulgor
Esses lábios de carne suculenta... pele clara.... em moldura negra...
Perfumados com aroma de amora e mel
Sob a sombra de um Alecrim florido...
Que desabrocha nesse canteiro adormecido
Frente à porta número 53...


Pedro Campos.

sábado, 13 de Junho de 2009

Acorde menina!


Vá... acorde menina!
Não quero ficar todo o caminho às escuras
Sem saber se o que imagino é possível ou não
Quero que me fale de viva voz!

Vá... acorde menina!
As cortinas estão já corridas
E do Este nota-se um nova luz bela
Revirando o olhar em todas as direcções

Ande, dê-me a sua mão neste carrossel
Sem medos, que o medo atrasa o andamento
Destes cavalinhos em festa em cima destas ondas de risadas tontas

Vá, venha comigo!
Que agora vamos saltar de cima desse penedo cheio de cor
E então ficarei a saber se é possível ou não
Encontrar a fonte do amor

Que o amor...
É esse infinito que há na alegria... antes de terminar...!

Pedro Campos.

Vem




Vem
Vem que o tempo dir-te-á o que és...
Vem
Descobre o que é o brilho escuro da noite
Talvez compreendas o que me faz atirar papagaios de papel pela janela do universo
Enquanto dou um trago de vinho do Porto, sucumbindo à amargura das horas
Em que as unhas se desfazem roídas de ponta a ponta
Como uma rocha desgastada pela erosão

São essas mãos assim
Como o precipício
Que me separa da verdadeira imensidão
Que é o sonho profundo e belo
Que sou eu e tu
Em volta de um cavalo a voar...



Pedro Campos.