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A mostrar mensagens de novembro, 2009
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Naquela noite Longe demais para hoje Lembrava a tua forma O teu sorriso A tua boca O cheiro das cartas que me escrevias O som do silêncio Puxado nos vazios Da solidão Como um cordel que mantinha o fascínio Suspenso perto de mim Como se fosse em ti A vida uma salvação De destinos perfeitos... Pedro Campos.
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Será que fui eu que parti Para algum lugar longe de mim? Será que deixei em branco As folhas do bloco de notas? Vadias as palavras viajando em silêncios Enquanto morro em movimento... Terão sido as jaquetas e os casacos A razão de ser um ter sido...? Talvez que o medo desagúe Liquidamente no cerne das coisas... E aqui, longe da solidão... Aqui... possa emergir um cavalo de prata Na sublimação metálica de um grito de adeus... Adeus... Feliz... digo adeus... Pedro Campos.

Despiste

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Bateu fundo O teu gemido A noite assustada Na madrugada alucinada Com o estrondo profundo De um despiste sem cor A tua dor é vermelha Como esse sangue sem sabor Pedro Campos.

Metamorfose

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Ontem Olhava o relógio E via nos ponteiros uma intenção diferente Uma força de rebeldia Que puxava pelas cordas do engenho E expressava em palavras surdas Os instantes cessantes Na maré do cais Ontem Não acertava o relógio Todo o tempo tinha o seu tempo certo E não havia instantes esquecidos Lúgubres momentos ecoantes no pensamento Como obcessivos dilemas morais Flutuando em lagos de lamúrias... Na superfície da água... Hoje Relógios sem energia Acerto e reacerto constantemente os momentos que passam Espero revê-los, passados no amanhã Decerto a fantasia irá chamar por mim Ao amanhecer Decerto também a noite será como uma ruína de um castelo de uma história de príncipes e princesas Decerto... a rua toda perca o sentido de caminho Porque... decerto o destino já se desfigurou Em algum areal de uma praia qualquer Num qualquer dia de húmido nevoeiro Em qualquer espelho derretido... uma saudade diluída nas lágrimas alheias de uma doutrina espectral inelutável Em que tu... escutas... calada....

Fernando Pessoa "Não sei ama onde era"

Whitman "Leaves of Grass"

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Pensar é estar aqui Deambular pelo tempo Percorrer caminhos novos Em terras distantes Sempre.. aqui Pensar... É ir além de nós... No alcance inadiável de um profundo infinito... Pensar... é ser... É ser tudo e nada... E nada poder ser Na antítese plena De pensar o impensável De falar o indizível Ouvir o inaudível... Pensar... É atingir o passo mágico da imaginação É ser o aqui e o agora... De um tempo que transcende as fronteiras do real... Pensar... É estar vivo... E apaixonado pela singularidade do instante. Pedro Campos.