Liberta-me de tudo

Solta-te Liberta-me de tudo E deixa-me vazio... Um recipiente abandonado Numa estrada por onde a guerra já passou Solta-te Deixa-te ir num fluir que já não há Ser talvez o que já não podes ser E acontecer-te nunca e sempre Numa espera que não alcança O que faço aqui, a olhar para ti? Foi sempre assim? Percorri tantas vezes o caminho mais difícil para te encontrar Escondi-me tantas vezes, fugi...! Para quê? Porquê? Talvez, na sombra, entenda melhor o efeito da luz sobre os corpos Talvez, ao relento, com o vento a massajar-me o pensamento Encontre o inevitável fascínio De uma montanha em aguarela colorida E a tua figura como medida Da excitação fulgurante e febril... Do teu sorriso sublime. Mas, porquê? Porquê, gostar assim de ti? Solta-me, pensamento cruel! Liberta-me de tudo! Deixa de existir em mim! Pedro Barão de Campos.