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A mostrar mensagens de agosto, 2012

Liberta-me de tudo

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Solta-te Liberta-me de tudo E deixa-me vazio... Um recipiente abandonado Numa estrada por onde a guerra já passou Solta-te Deixa-te ir num fluir que já não há Ser talvez o que já não podes ser E acontecer-te nunca e sempre Numa espera que não alcança O que faço aqui, a olhar para ti? Foi sempre assim? Percorri tantas vezes o caminho mais difícil para te encontrar Escondi-me tantas vezes, fugi...! Para quê? Porquê? Talvez, na sombra, entenda melhor o efeito da luz sobre os corpos Talvez, ao relento, com o vento a massajar-me o pensamento Encontre o inevitável fascínio De uma montanha em aguarela colorida E a tua figura como medida Da excitação fulgurante e febril... Do teu sorriso sublime. Mas, porquê? Porquê, gostar assim de ti? Solta-me, pensamento cruel! Liberta-me de tudo! Deixa de existir em mim! Pedro Barão de Campos.

Deslumbre

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Deslumbre Em ti, sublime Afasto-me ao aproximar-te de mim A cada cortina de vento O esboço ondulante do teu cabelo Contornos de tudo E a paisagem do mundo É o que encontro em ti Na boca invento uma janela Nos olhos, a doçura selvagem do teu sentir A pele é a fronteira De um universo inteiro Por descobrir E as mãos Sempre as tuas mãos Divagantes, voadoras, agitando a alegria pelo ar vazio Como asas Como melodia De um som Impossível para mim... Pedro Barão de Campos.

Pedra

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Palavras... gestos... olhares... O que é isto de pensar? O que é isto de sentir? Que coisa é esta que persiste a tudo e não cessa...? Esta doença crónica que é ter sempre pensamentos sobre as coisas... Que é sempre sentir algo... Porquê? Porque não sou apenas como a árvore do bosque? Imóvel, plácida, sublime... viva... Ou talvez, uma pedra Porque não nasci pedra? Hoje, penso que, se fosse uma pedra, seria mais feliz. Estaria tranquilo, seria resistente E como as pedras não estão vivas Nunca teria de me confrontar com dilemas e pensamentos Nunca teria de enfrentar a morte ou a solidão Porque simplesmente as pedras são aquilo que são São pedras, apenas pedras... duras, imóveis, frias... Pedras... só pedras... que não filosofam, nem imaginam, nem supõem! Pedra, é o que eu deveria ser. Pedro Barão de Campos