Procuro nesta noite um lugar onde possa encontrar respostas um espaço de onde se alcance o firmamento e que possa ser encontrado de olhos fechados, com as pálpebras unidas e a voz em uníssono num mistério pululante... Procuro nesta noite fria e magnética um instante em que a tua pele irrompa do tempo e aveludadamente se misture comigo numa simbiótica vertigem de futuro num devaneio irrefletido do momento sumptuosamente loucos, transgressoramente lúcidos e ainda assim, vítimas deslumbradas da tangência do impossível. Pedro Barão de Campos.
Duy Huynh - Journey Within A Journey II, 2012, acrylic on wood, 32"40". Se eu pudesse separar-me de mim Ignorar o colete de forças que me agarra Ao doloroso fim que há-de vir Eu poderia ser feliz. Se eu fosse capaz de correr mais do que a minha sombra Ou ela ficasse estática e suspensa no ar circundante ao meu movimento Sei que seria menos múltiplo aqui Eu poderia ser feliz. Se o espaço fosse reduzido ao habitat dos teus lábios E a tua língua dançasse como um rio por entre as margens Tudo serias a hipérbole do sonho e a utopia da fascinação Então, eu seria feliz. Mas não consigo separar-me de mim, nem correr assim tão depressa Se ao menos pudesse correr devagar, mas para ti Talvez assim, pudesse ser feliz. De olhos nos olhos com o meu reflexo no espelho Dialogo como num monólogo de ausência, no limiar do desassossego... Acordem mãos vacilantes! Apertem-se em mim! Esmaguem esta dor cortante ...
É do meu lugar em ti Que hoje te falo Essa rua, essa avenida, esse país Esse sublime e pulcro instante Que é tempo e espaço Num território impossível No transcendente da razão É do meu lugar em ti Que desabrocha a cor E se arquiteta a fantasia Com que noite e dia Entre a humidade em gotículas Germinam as flores do jardim É do meu lugar em ti Que acordo de ventania E sou o sopro rompante, a respiração explosiva A vertigem deslumbrante De olhar-te assim, paisagem doce e solene, a cada dia É do meu lugar em ti Que partem todos os navios da utopia Em aventureiras descobertas de horizontes novos Tão longe, tão perto, tão fundo… Esse lugar secreto Onde alucino de futuro É no meu lugar em ti Que a quimera e o excesso ganham forma E se esboçam na substância de existir Além da metáfora É do meu lugar em ti Que voam velozes os pássaros da alma e do sonho E contemplo, comovido, o teu olhar Como se fossem as pinturas de um mundo Onde tudo faz senti...
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