O Copo

Um copo vazio em cima da mesa Esteve cheio Ontem ao deitar Nesse copo havia espelhos Havia sonhos dentro do brilho E um tempo salgado Onde flutuava a esperança... Em cima da toalha Deitado sobre a sua brancura Enche-se de sombras esse espaço agreste da memória E o copo deita por fora E o passado flutua... As eternas questões precipitam-se... Onde estás tu? Menina que amo desde criança? Onde estás? Onde estou? Porque nunca tive a coragem de te explicar o sentir...? Porque perdi? Porque perdeu o copo a água em que navegavam gestos..?... E os dedos quentes, sólidos de saudade Murmurando a noite vazia Uma lareira crepitando O tempo dilacerado De um ser menos que o fim... Oh... rosto de menino Aos sete anos adormecido no sofá A sonhar com aquele olhar verde azulado Cor de mar em rebeldia E soluçava quando percebia Na sua inconsciência consciente Que o sonho era impossível E no horizonte do universo Ele estava longe de tudo... Na melodia de um sonho Abriam-se ideias mágicas Heróis, homens-pá...